segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Planalto vê Igreja Católica como potencial opositora do governo Bolsonaro


O Palácio do Planalto e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estão encarando a Igreja Católica como um potencial inimigo, capaz de fazer forte oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

Na avaliação da equipe de Bolsonaro, a Igreja Católica é uma tradicional aliada do Partido dos Trabalhadores (PT) e estaria, segundo investigações internas, se articulando para influenciar debates antes protagonizados pelo PT no interior do País e nas periferias.

Ainda segundo a reportagem publicada neste domingo (10) pelo jornal, a ameaça ao governo Bolsonaro não estaria vindo apenas da Igreja existente no Brasil, mas de toda a instituição católica. O próprio Papa Francisco, por exemplo, é visto pela equipe do presidente como um comunista capaz de atrapalhar os planos bolsonaristas.

Durante 23 dias, o Vaticano vai discutir a situação da Amazônia e tratar de temas considerados pelo governo brasileiro como uma “agenda da esquerda”. 

O debate irá abordar a situação de povos indígenas, mudanças climáticas provocadas por desmatamento e quilombolas. “Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que comanda a contraofensiva.

O alerta veio de informes da Abin e dos comandos militares brasileiros. Segundo eles, são alarmantes recentes encontros de cardeais brasileiras com o papa, no Vaticano, para discutir a realização do Sínodo sobre a Amazônia, que reunirá, em Roma, bispos de todos os continentes.

O evento, que acontece em outubro, vem causando calafrios no ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno . Isso porque estão na pauta a realidade de índios, ribeirinhos e demais povos da Amazônia, assim como o problema do desmatamento, as mudanças climáticas e os conflitos de terra na região.

Tais temas são encarados pelo Palácio do Planalto como uma agenda de esquerda e por Augusto Heleno como uma fonte de preocupação. "Queremos neutralizar isso aí", disse Heleno, acusando o que chama de "clero progressista" de aproveitar o Sínodo para criticar Bolsonaro. "Achamos que isso é interferência em assunto interno do Brasil”, afirmou.