Uma comissão formada por investidores, lojistas, líderes comunitários e advogados procuraram a Prefeitura de Camaçari para solicitar apoio do poder público em relação ao possível fechamento do Shopping Busca Vida, localizado na Estrada do Coco, em Vila de Abrantes, Costa de Camaçari. O empreendimento foi inaugurado em novembro de 2016, e já no ano seguinte teve algumas lojas fechadas, das 30 já alugadas, devido ao pouco fluxo de clientes e, em dado momento, a inexistência de um setor administrativo do prédio.

O empreendimento que conta com 100 lojas, sendo 50 no térreo, mais 50 no primeiro pavimento, e a disponibilidade para a construção de mais 177 salas no Empresarial localizado no segundo e terceiro pisos, foi financiado com recursos obtidos da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), após a realização de um grande estudo de viabilidade de construção e impacto na região. Por problemas contratuais de garantias, as empresas investidoras responsáveis por 50% do projeto, ficaram impossibilitadas de continuar as obras nos andares superiores.


De acordo com informações dos investidores, a Desenbahia colocou o Shopping a leilão, para venda do térreo, em 30 de maio de 2018. No entanto, uma das lojas que ainda funciona no local entrou com uma ação, o que impediu o seu seguimento.“A Desenbahia recebeu o Térreo do Shopping em Dação de Pagamento do Financiamento em dezembro de 2017 e se comprometeu a alavancar a operação. Ainda foi proposto pela Agência, a instalação do SAC do Estado e CAM de Camaçari, que já estavam compromissadas, entre outras operações para atrair investidores”, destacou um dos investidores, Luciano Lins.

Atualmente, menos de 10 lojas funcionam e, apesar de não terem sido notificados oficialmente que devem entregar as salas, os locatários temem um prejuízo ainda maior com a notícia da realização do leilão. “Além da atual ausência de administração e de todos os transtornos e prejuízos suportados, os lojistas estão sendo processados por uma das empresas investidoras, para que paguem as taxas de aluguel e condomínio. Por outro lado, entendemos que, sendo responsável por 30% do empreendimento, referente ao térreo, a Desenbahia deveria garantir as condições básicas de funcionamento do shopping enquanto aberto, em virtude de os lojistas terem assinado contratos de locação com prazos que variam entre 5 e 10 anos. Desde a assunção pela Desenbahia, não existem mais representantes na administração do empreendimento, não há recolhimento do lixo, muitas luzes queimadas, ausência de manutenção geral e limpeza, além de contar apenas com 2 seguranças patrimoniais no local”, pontuaram as advogadas, Drª Ana Flavia Castro e Drª Soane Figliuolo, representantes de parte dos lojistas.

Os lojistas relataram ainda que são os mais prejudicados com a possibilidade de fechamento do Shopping, já que muitos investiram tudo que tinham nas lojas. “Vendi minha casa no Itaigara, em Salvador, pra morar em Camaçari e abrir minha loja. Um dos motivos que ainda me faz lutar pra que tudo seja resolvido, é o mesmo sentimento que tinha antes, de acreditar neste empreendimento”, desabafou a empresária Vanda Lima.

Mesmo pensamento do senhor Arnaldo Moura, empresário do ramo alimentício, que fechou as portas do estabelecimento, mas continua com todo maquinário instalado aguardando uma decisão. “Nós temos fé que tudo será resolvido, por isso continuamos lutando e buscando uma solução. Fizemos um investimento alto em uma loja bonita e sonhamos com o dia em que reabriremos nosso negócio”, disse.

Representando os moradores de Vila de Abrantes, a líder comunitária Nilvana Pinheiro ressaltou que o encerramento das atividades da maior parte do Shopping causou muitos prejuízos para os moradores, principalmente o aumento do desemprego. “Muitas pessoas dependiam dessa renda, tanto as que trabalhavam nas lojas, como algumas famílias que venderam seus imóveis para investir, tiraram seus filhos de escolas particulares e usaram suas poupanças. Procurei a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, por acreditar que são legítimos representantes do povo e vão ajudar a nossa causa”.

O prefeito Elinaldo Araújo solicitou ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Waldy Freitas, que cuide pessoalmente dessa questão, pois é de interesse do município que o Shopping permaneça aberto, gerando emprego, renda e movimentando o comércio da localidade. “Um empreendimento como esse é muito importante pra viabilizar o desenvolvimento daquela região da Costa de Camaçari. O Busca Vida não pode simplesmente ser fechado e entregue ao abandono total. Vamos unir forças, entre a Prefeitura de Camaçari e o governo do estado, pra que juntos possamos buscar uma solução com a Desenbahia, que é o agente financeiro, no sentido de tentar reerguer aquele grande empreendimento”.

O próximo passo do poder público municipal será entrar em contato com o governo do estado e os envolvidos no processo, para tentar encontrar uma alternativa que beneficie a todos. O desejo da comissão de investidores, lojistas, líderes comunitários e advogados é que mesmo com a realização do leilão, seja preservada a origem do negócio, que as dívidas sejam negociadas, além da realização de ações de fomento para a ida de clientes ao Shopping, obras de infraestrutura como a construção de passarelas e um retorno mais próximo do empreendimento, bem como a implantação de órgãos de serviços públicos funcionando dentro do centro comercial.