A CCR citou os ex-governadores José Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, em esquema de caixa dois criado pela empresa em São Paulo destinado a campanhas político-partidárias. De acordo com o Ministério Público, o esquema ocorreu entre 2009 e 2013 e movimentou R$ 44,6 milhões em caixa dois.

A GloboNews apurou que, entre os 15 políticos citados na investigação, além de Alckmin e Serra, está também o deputado estadual Campos Machado (PTB).

Serra e Machado dizem que tiveram as contas aprovadas pela Justiça. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa de Geraldo Alckmin e aguarda resposta. (veja ao final da reportagem o que dizem os citados)

O Grupo CCR atua na área de infraestrutura, em segmentos de concessão de rodovias, mobilidade urbana, aeroportos e serviços. A companhia é responsável pela administração de algumas das rodovias mais importantes de São Paulo, como a Anhanguera, a Bandeirantes, a Castello Branco e a Raposo Tavares, além de serviços de mobilidade urbana como o Metrô da capital, com as empresas ViaQuatro e ViaMobilidade.

Segundo informou em entrevista coletiva o promotor José Carlos Blat, da Promotoria do Patrimônio Público do MP, a CCR "precisou criar um caixa dois para fomentar um pagamento ilegal para diversas campanhas político-partidárias”.

A empresa assinará acordo com o MP do estado, um "termo de autocomposição", em que se compromete a pagar R$ 81,5 milhões para encerrar processo civil envolvendo a companhia e algumas de suas controladas.

“Não fosse a autocomposição, o MP jamais, em tempo algum, teria qualquer tipo de informação daquilo que está surgindo a partir de agora contra vários - não é um nem dois, são vários políticos -em valores, se comprovados, significativos de caixa dois", afirmou o promotor José Carlos Blat.
“São pelo menos, de personalidades importantes, que tiveram uma importância no cenário estadual ou nacional, pelo menos uns dez políticos bastante conhecidos. Agora isso depende de uma produção de provas”, disse Blat. 

Sobre os partidos, o promotor disse que "são todos aqueles conhecidos - os de sempre, talvez".

Como funcionou o esquema
O promotor explicou que a CCR efetuava o pagamento dos contratos de marketing e em seguida, parte do dinheiro era devolvido era devolvido à empresa, para diretores ou ex-diretores. Esses dirigentes, por sua vez, entregavam os valores a pessoas ligadas a partidos políticos.

As investigações duraram cerca de cinco meses. O promotor informou que o MP tem ouvido depoimentos de ex-dirigentes da CCR e coletado documentos. Até o momento, no entanto, não há “qualquer indicativo de atos de corrupção”.

“O que temos é o fomento, ou a criação, de um caixa dois para campanhas politico-partidarias”, explicou Blat.

Veja o que dizem os citados
Por meio de nota, José Serra informou que todas as campanhas dele "sempre foram realizadas com rigor técnico para demonstrar aos eleitores as melhores propostas ao Brasil". "E as contas, sempre aprovadas pela Justiça Eleitoral, ficaram a cargo do partido", completa a nota.
Campos Machado informou, também por meio de nota, que ss doações que recebeu em todas as suas campanhas "foram exclusivamente dentro das exigências da lei, tanto é que foram aprovadas pela Justiça eleitoral".

Em nota, a CCR afirma que o "Grupo CCR informa que irá celebrar, às 15h, Termo de Autocomposição com o Ministério Público do Estado de São Paulo, a partir do qual se compromete a pagar a quantia de R$ 81,530 milhões. Com a assinatura do Termo ficará encerrado o inquérito civil instaurado em março deste ano pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. Os recursos serão divididos da seguinte forma: R$ 64,530 milhões serão repassados ao Estado de São Paulo; e R$ 17 milhões serão doados para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo"