Jovens cientistas de Camaçari desenvolvem vidro inteligente

outubro 24, 2017



Desenvolver um dispositivo que reduza o consumo de energia elétrica com iluminação artificial, climatização e que capte energia solar de forma eficiente. Esse é o objetivo do Project Sandwich – Vidro Inteligente Fotocromático, criado por três estudantes do 4º ano do curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Estadual Cidade de Camaçari (CECC).

Os jovens cientistas, João Vitor Mendes Pinto dos Santos, 18 anos, morador do bairro Santa Maria, Natan Vieira de Jesus Santana, 17, residente na Nova Vitória, Vinícius Júlio Santos da Cunha, 17, morador do Dois de Julho, e a professora orientadora do projeto, Lenilda Pita, irão apresentar o vidro inteligente na maior feira de ciência e tecnologia da América Latina, a Mostratec, realizada anualmente pela Fundação Liberato, na cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e que este ano acontece entre 23 e 29 de outubro. A equipe terá a oportunidade de discorrer sobre o Project Sandwich para os avaliadores da feira na quarta-feira (25).


A Mostratec destina-se a apresentação de projetos de pesquisa em diversas áreas do conhecimento humano realizados por jovens cientistas do ensino médio e da educação profissional técnica de nível médio. Este ano, a feira conta com a participação de 640 projetos de pesquisa do Brasil e de vários países, sendo 420 da Mostratec mais 220 da Mostratec Júnior. No mesmo período acontecem eventos integrados como o Seminário Internacional de Educação Tecnológica (SIET), e Robótica Educacional, além de atividades esportivas e culturais.

De acordo com os estudantes a decisão de criar o vidro inteligente partiu da vontade desenvolver uma tecnologia sustentável. “Estávamos com uma ideia complexa de ser executada e limitamos ela por etapas, para que seu desenvolvimento torne-se mais fácil. O vidro é um dos dispositivos que integra esta ideia, sendo ele a primeira etapa do projeto maior”, contaram.

Ainda segundo os estudantes, “a maior parte da energia gerada no Brasil provem de hidroelétricas e a gente sabe que o mundo passa por uma grande crise hídrica, e devido a essa crise hídrica que o Brasil também enfrenta, o país começou a usar energia de termoelétrica, que é mais cara e muito mais poluente, por isso uma fonte renovável, investimentos em tecnologias mais renováveis é necessária nesse âmbito. Nosso vidro consegue captar energia solar e converter em energia elétrica, isso possibilita uma nova gama de captação livre, limpa e também de economia, visto que ele possibilita um aproveitamento maior dos raios solares”, explicaram os jovens cientistas.

Para a mestre na área de meio ambiente e orientadora, Lenilda Pita, a motivação em elaborar trabalhos de cunho científico teve início a partir de um projeto desenvolvido na escola no ano passado.  “Realizamos o projeto Um Olhar Técnico, no qual os alunos tiveram contato com o método científico e este ano eles vieram com todo gás nos propondo um novo desafio, que era participar de feiras de ciências. No início deste ano nos inscrevemos num programa de iniciação científica, o Decola Beta, e hoje estamos aqui apresentando nosso trabalho em uma das maiores feiras de ciências e tecnologia do nosso país”, contou.

Na opinião de João Vitor, “fazer uma pesquisa é algo interessante por nos colocar fora da zona de conforto e sempre ser necessário pesquisar artigos, se informar sobre o surgimento de novas tecnologias, ter que conversar e se comunicar de forma mais objetiva, e o principal, ter que se reinventar todo dia para continuar no caminho correto da pesquisa”, afirmou o jovem.


Natan Vieira acredita que fazer pesquisa no ensino médio é muito enriquecedor. “Quando deixamos de ser aprendizes passivos e nos tornamos aprendizes ativos, conseguimos agregar muito mais conhecimento e também gerar conhecimento. Fico muito feliz em saber que estou contribuindo para a comunidade científica”, frisou o estudante.

Na avaliação de Vinícius Júlio, “a pesquisa e a iniciação científica são atividades importantes, pois estimula as pessoas a buscarem por algo novo e, como o ensino médio é a hora de ‘levantar voo’, ele deve agregar, também, essas atividades. A ciência nos faz olhar de uma forma diferente para tudo que está ao nosso redor e buscar soluções para alguns dos problemas que acontecem no mundo, e poder fazer isso no ensino médio é, sem dúvidas, um diferencial enorme na vida de um estudante”, enfatizou.

A professora Lenilda Pita considera que diante do cenário atual da educação pública no país, compartilhar com os alunos a experiência de participar de uma feira de ciências e tecnologia do nível de relevância da Mostratec é muito importante. “É enriquecedor, não só para mim como professora, mas também para esses jovens que iniciam seus passos na iniciação científica. Vê-los sendo protagonistas das suas próprias vidas, construindo e gerando conhecimento me traz uma satisfação enorme como profissional”, destacou a orientadora. 

Apoio

O Colégio Estadual Cidade de Camaçari (CECC) e a equipe gestora formada por Mônica Maria Araújo dos Santos e Ramiro de Souza Amorim Filho, através da Superintendência da Educação Profissional e Tecnológica (SUPROT) custearam as despesas de viagem, que incluem passagens aéreas, hospedagem, alimentação e transporte terrestre.

A Faculdade Metropolitana de Camaçari (FAMEC) disponibilizou os laboratórios da instituição para a montagem dos protótipos. Lojas de informática e assistência técnica do município doaram resíduos eletrônicos, como displays de LCD.

As demais despesas, como a compra de materiais específicos para o desenvolvimento do projeto, foram arcadas com recursos próprios.

Novos desafios

Os jovens já planejaram os próximos passos, após a feira. “Vamos continuar no desenvolvimento desse projeto até alcançar todos nossos objetivos e, depois de realizar bastante experimentação dos protótipos até ele se mostrar estável, passamos para a segunda etapa do projeto maior”, revelaram.


Os estudantes estão habilitados para participar de outro grande evento, entretanto, precisam de patrocínio para a viagem. “Em dezembro iremos apresentar o projeto no Encontro Nacional do Cientista Beta. O evento ocorrerá nos dias 13, 14 e 15, na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, pois os estudantes participam do Programa de Iniciação Científica Decola Beta que é voltado a estudantes do ensino médio ou técnico”, contou a professora Lenilda Pita.

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